Fala, galerinha do batuque?! Beleza?
Então, o mês de fevereiro foi um mês muito importante pra gente, pois, mais uma vez, tivemos a felicidade de juntar grandes nomes a fim de que tivessem sua voz ouvida, assim como mais próxima daquele que o ouve.
Sem sombra de dúvidas o som carrega uma história. Seja as vivências daquele que batuca e, até mesmo, a vivência do que o próprio ritmo teve que passar para chegar onde está. No entanto, é verdade, também, que essas melodias falam ao coração, mas nós não entendemos o que elas falam.
Por isso, então, espero que esse gostinho de satisfação que está em nós também esteja no coração de cada um de vocês, porque, dessa vez, a música falou… e falou pela voz dos nossos grandes artistas.
Narjara, a rainha da GOPE

De início, para começar com chave de ouro, Narjara veio ao nosso encontro e falou sobre muitos assuntos que, nós, batuqueiros, sempre tivemos curiosidade em saber e, uma delas, foi justamente o que a GOPE tirou de aprendizado no ano de 2020.
Todos sabem que foi um momento atípico. Muitas empresas fecharam e, com isso, muitas pessoas ficaram desempregadas.
Não é fácil.
No entanto, não é a primeira vez que uma marca como a GOPE passa por uma crise e sai ainda mais forte. É verdade que muitos planos tiveram que ser adiados, porém nesse ano de 2021 a GOPE pretende lançar um produto a cada três meses.
Sim, isso mesmo. E começando no mês de março. No entanto, mais do que isso, aprimoramentos serão constantes nesses períodos; mostrando, mais uma vez, que a GOPE sempre está em movimento pensando no que pode fazer de melhor para o mercado da música brasileira.
Como ter uma linha assinada por mim?
Essa pode ser uma pergunta muito frequente para aqueles que vivem do batuque e sonham em ser patrocinados por uma grande marca, mas qual é o caminho das pedras que te levam a esse destino?
De fato, é difícil falar, mas Narjara explica que existe muitas condições que levam a eles procurarem uma pessoa para criarem uma linha, sendo algumas delas:
- O amor pela música – algo que sabemos que todo batuqueiro tem;
- Conhecimento teórico e empírico do que ele toca; e
- Posicionamento (profissionalismo).
Este último, de fato, é um grande diferencial, pois, ela diz, uma vez que um artista entra nesse comum acordo com a GOPE, de uma forma inevitável, seus destinos se entrelaçam. E, com isso, a imagem da pessoa, querendo ou não, estará vinculada à marca.
Por isso, então, o cuidado de escolher – mais do que pessoas que tocam bem – pessoas que comungam com os mesmos ideais da marca GOPE.
Pablinho dá dicas que o levaram ao sucesso
“É preciso estar atento às oportunidades” – é com essa frase que Pablo iniciou sua resposta quando indagado de como sua carreira havia deslanchado tão rápido.
Mas, para você que ainda não conhece a história desse grande percussionista, deixe-me lhe dar uma palinha.

Diferente de grandes músicos que entraram para este mundo da música muito jovens, – na faixa de seus 13 e 14 anos – Pablinho ganhou o seu primeiro instrumento, que foi um cavaquinho, aos 18 anos de idade. No entanto, para a surpresa de todos e felicidade do mundo, com 20 anos ele já estava tocando com ninguém mais que Alexandre Pires.
Sim, o menino é brabo kk.
Entendendo isso, uma coisa fica bem clara: o ato de estar sempre a frente é um princípio que Pablinho leva consigo onde quer que vá.
Inclusive, para provar este ponto ele fala de quando foi chamado para tocar no show de Vitinho que, apesar de nunca ter tocado com eles, fez um exímio trabalho.
Nessa parte, então, você se pergunta o que aconteceu para ele ter se saído tão bem de primeira, mas essa sua indagação não é verdadeira, pois, apesar de ter sido, sim, a primeira vez dos outros artistas com , Pablinho, não foi a primeira vez de Pablinho com eles, pois, ao saber que ia ser chamado, ele passou horas ouvindo o show de Vitinho em um DVD e tocou com eles.
Logo, o que podemos tirar de lição dessa história é a dedicação, perseverança e humildade, pois só aquele que sabe que não sabe de tudo tem o poder de aprender um pouco mais.
Que assim seja com todos nós. Então, lembre-se: ninguém é tão grande que não possa aprender e ninguém é tão pequeno que não possa ensinar.
Renanzinho – a nova geração está dominando tudo!

Os grandes pavimentam a estrada na qual os mais jovens vão trilhar e é exatamente isso que aconteceu com Renanzinho que, apesar de tão novo, já toca vários instrumentos, dentre eles: surdo, pandeiro reco-reco, rebolo e muitos outros.
Incrível, não é mesmo?
Seria isso dom?
Sendo sincero, acredito que sim. Existem pessoas que parecem terem sido predestinados a fazerem o que fazem e, sem sombras de dúvidas, esse é o caso dele!
Você ainda vai muito longe, Renanzinho! Voa, garoto!
Rogerinho manda a real, segura!
Muitas coisas foram faladas na voz desse grande percussionista, mas, provavelmente, uma das coisas mais importantes que foram ditas por ele ressoa em todas as histórias de quem tem sucesso em alguma área.
Não desista.
Remetendo a isso ele falou da saída de Xande do grupo Revelação e como ele teve que se apegar a resiliência pra não permitir que tudo desmoronasse.
“Precisamos entender e aceitar que o sucesso acaba”, ele diz. E isso é um fato. Nada é para sempre. Por isso, então, é importante abraçarmos de toda humildade. E, caso esteja vivendo seu sucesso, é correto aproveitar, mas sem nunca se esquecer de suas raízes.
Rogerinho fala ainda sobre a desvalorização do percussionista

Na visão dele, isso não existe.
Na verdade, o que acontece é que existem vários tipos de músicos; uns ganham mais que outros. E, o que se deve olhar é o seguinte: o quanto ele ganha e o quanto ele pode pagar.
Às vezes não é questão de ruindade ou desvalorização, mas, sim, números.
Carlos Café e amigos
Uma grande parceria da vida de Carlos Café, sem sombra de dúvidas, é a com a Contemporânea.
Essa amizade surgiu justamente em pelo fato de que era preciso uma inovação no mercado de pandeiro e, para isso, era necessário alguém de nome, ou seja, reconhecido no mercado da percussão e foi assim que chegaram a ele.
Uma das principais razões dele ter sido o escolhido para fazer parte dessa linha que foi enormemente aceita, é o fato de que, por muito tempo, ele se especializou apenas no pandeiro.
A técnica de desenvolvida por Carlos Café

Segundo Carlos Café tudo começou quando ele tentou reproduzir no pandeiro o som feito pelo repique de mão.
De acordo com o próprio batuqueiro, não é algo difícil de fazer, mas que com toda certeza precisa de toda motivação e determinação para fazer acontecer.
Caso alguém tenha interesse em aprender um pouco mais acerca dessa técnica, só procurar o canal que ele tem no Youtube porque volta e meia ele está sempre dando um conteúdo fera e gratuito por lá.
Qual o melhor tipo de pele para pandeiro
Muitas pessoas perguntam qual o melhor tipo de pele para quem toca pandeiro. No caso de Carlos Café, a sua pele preferida é justamente a leitosa, pois, de acordo com o próprio pandeirista, ele ama o timbre do instrumento.
No entanto, apesar dessa preferência, ele admite que a porosa também é muito agradável ao seus ouvidos, além de poder tirar alguns recursos com o pandeiro das quais, em outras, não é tão bom fazer.
Charles Júnior, o mão pesada
Bastante conhecido por ser responsável pelos solos de tantan da banda de Tierry, Charles conta um pouco da sua história e fala também da importância de imagem pessoal de um artista.
E isso, infelizmente, por vezes é deixado de lado. Porém, é verdade que muitas pessoas olham para seus ídolos e, por vezes, tentam espelhar certa atitude ou ação.
Sendo assim, cabe àquele que está nos holofotes refletir acerca da imagem que está sendo construída porque, no fim das contas, isso vai definir o futuro do percussionista.
Mas por que mão pesada?

Esse apelido veio justamente pelo fato de Charles ser um cara grande, porém, ele diz também que o fato dele ser bastante intenso fundamenta ainda mais esse apelido. E, por vezes, isso transparece até mesmo quando toca.
Nenê Brown e a nossa ancestralidade
A música carrega consigo muitos significados não apenas em suas letras, mas também em seu ritmo.
Por quantas histórias o nosso samba já passou, não é mesmo?
Antes de ser a potência que é hoje no Rio, o samba era conhecido como roda de samba, na Bahia. E se voltarmos ainda mais o tempo, chegaremos à África e, até mesmo, Arábia.
Por isso a importância de termos noção de onde estamos, para onde queremos ir e, principalmente, de onde viemos, pois é nessa história que nossa estrada será pavimentada.
E é justamente nisso em que Nenê se destaca mais. Como ele próprio diz na bio de seu Instagram:

Nem bom, nem melhor, apenas diferente.
E ele resolveu ser diferente homenageando seus antepassados, pois seu som, apesar de abrasileirado, bebe muito das matrizes africanas.
Léo Rodrigues explica as vantagens de se posicionar na internet
Depois da incrível apresentação e aula de Nenê Brown, foi a vez do Léo Rodrigues dá a sua palestra, porque, senhoras e senhores, foi realmente incrível tudo o que ele disse.
Uma das coisas mais interessantes que ele fez questão de pontuar foi a preocupação exacerbada com a imagem ao ponto das pessoas não se permitirem fazer aquilo que deveriam fazer.
Como exemplo Léo citou o próprio ato de ser blogueiro.

Muitos instrumentistas temem se posicionar e virar alvo de piadas, mas a verdade é que eles estão focando no lado errado da narrativa, pois a internet é, na verdade, uma plataforma que permite que você converse com muitas pessoas, permitindo que o conteúdo fique cada vez mais democratizado.
De acordo com o próprio Léo Rodrigues, bons professores que poderiam muito bem dar uma senhora aula de instrumento se escondem nas sombras de suas escolas físicas, não percebendo, assim, o potencial que existe fora delas.
Ratinha, a rainha do timbau
Rosemeire Santos, também conhecida como Ratinha, falou um pouco sobre a representatividade da mulher no ramo da percussão.
No festival ela se lembrou de quando era muito jovem e pedia constantemente para começar a tocar nos ensaios em que vivia assistindo, mas que sempre ouvia em resposta “isso não é coisa de mulher” até que um dia seu desejo foi realizado e, depois daí, nunca mais parou.
A maior referência dessa grande mulher é Carlinhos Brown e sua história com a Timbalada.
No entanto é com o Trietá, um trio de percussionistas mulheres (Ratinha, Liminha e Daniela Pena), que Ratinha se realiza. Em seus repertórios elas tocam desde músicas contemporâneas até ritmos de matriz afro-brasileira.

Gabriel Policarpo nos conta um pouco de sua vida
Como toda boa criança brasileira, Gabriel sonhava em ser jogador de futebol, no entanto o samba te tirou esse sonho e colocou tão enorme quanto.

Umas das coisas que ficaram bem claras, na medida em que falava sobre sua vida e atividades é que tudo que ele faz é com amor, pois o samba é universal, por isso, então, é importante espalhar esse sentimento para o mundo.
Gabriel tem um projeto que ele faz há 11 anos na Dinamarca, na qual juntamente com um quarteto instrumental (pianista, baixista, pandeiro e repique) se apresentam, apesar de não ser uma junção não tão natural.
Umas das coisas que surpreende o Gabriel é o fato do brasileiro ser tão bem recebido mundo a fora; ele diz que muito disso tem a ver com a potência musical que o Brasil é.
Aprendendo Percussão, Thiago Viégas
O canal Aprendendo Percussão começou a engatinhar no ano de 2016, mas o que eles não esperavam é que, logo de início, eles contariam com um patrocínio tão incrível: a GOPE.

Hoje, com mais de cento e onze mil inscritos no canal, eles possuem vários cursos de renome para cada um dos instrumentos que eles dominam, como o pandeiro, rebolo e outros.
No entanto, o canal foi criado pensando na democratização da informação que, por vezes, fica muito presa à um grupo seleto de pessoas que comungam de um mesmo ambiente.
Paulinho Félix e a influência da família em nossas vidas
Paulinho vem de uma família de músicos, apesar de seu pai ser o único que realmente levava a música como profissão.
No entanto, de forma contraintuitiva, foi com quando sua mãe levou ele à uma roda de samba que ele, de fato, se apaixonou pelo samba.
Isso nos remete, mais uma vez, o poder de influência que a família tem sobre os seus pequeninos e, como decisões e momentos que nem parecem ser tão importantes assim, podem ditar uma história.
É por isso que apoiamos e incentivamos a música aos mais novos para que eles possam sentir o amor, carinho que o batuque carrega consigo, não é mesmo?

Basta ver a história de Paulinho.
Aquele menino que ficou deslumbrado com a roda de samba cresceu não apenas em altura, mas profissionalmente e hoje faz parte de um grande grupo conhecido como Menos é Mais.
Por isso, lembre-se sempre de espalhar essa sementinha do batuque com muito amor e carinho, pois um momento simples pode acarretar numa grande mudança.
Viva a música porque música é vida.
Conclusão
E então, o que achou dessa retrospectiva?
Você assistiu ao vivo?!
Se não, entre em nosso canal e assista agora.
Lá alguns sorteios foram feitos e, se você foi o ganhador (a), parabéns! Fico muito feliz por você. E, caso você não tenha ganhado, não se preocupe, haverá outras oportunidades!
Bem, é com muito amor e alegria no coração que me despeço de você (por hoje).
Foi um prazer te ter por aqui! Até a próxima! 🙂
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